Verdades

As verdades que sei batem à porta
muito doces, mui gentis
me beijam – eu coro! –
e entram em mim satisfeitas.
(Sabem o caminho.)

Tenho medo de mandá-las sentar…
Não por mal.
Estou um pouco ocupado
distraído com o que não sou
contando papéis de mentira.

Ainda assim, elas se acomodam
com propriedade
como se fossem a razão que têm.
E puxam papo.
Falam dos tempos
de jogos e do que é certo
de como as pessoas deveriam ser
e eu entendo: falam pra mim.

Óbvio. São as minhas verdades. Me habitam.

No fundo, nem eu quero que vão
(eu as reconheço como verdades!)
e a acolhida é desconfortavelmente grata,
como se beijasse uma tia distante.

Sem palavras, não mudo
não me tranco nem fujo:
alugo um poema e resido majestosamente
em um cômodo pequeno e discreto
com janelas ofuscadas pela poeira
onde esqueço das tantas verdades que me cobram com razão
e onde entulho fraquezas tão minhas.

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~ por Carlos Pegurski em setembro 19, 2012.

Uma resposta to “Verdades”

  1. lindo!

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